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Jordânia - Um oásis de História

Um oásis de História, cultura e experiências perdido no imaginário das Mil e Uma Noites

as ruínas de Petra são algo a não perder

Pautado por cenários edílicos e referências únicas na História da Humanidade, pode ser palco das suas próximas férias de sonho. Deixe-se surpreender por paisagens impressionantes

Câmara do Tesouro em Petra

A Jordânia fica localizada no vale do rio Jordão, entre o Egito, a Arábia Saudita, o Iraque, a Síria, Israel e a Cisjordânia. É considerado pela comunidade ocidental como um exemplo de paz e estabilidade na região devido às suas posições perante o conflito israelo-palestiniano.

Constituído como país independente depois da
II Guerra Mundial, tornou-se no que é hoje muito graças ao papel e ao carisma do rei Hussein, falecido em 1999. Figura incontornável no Médio Oriente, foi o responsável por alguns passos essenciais no caminho pela paz e segurança nesta conturbada região do Mundo.

Talvez por isso, mas não só, o país seja hoje um dos destinos turísticos mais procurados. Oferece a segurança que nenhum outro país vizinho pode oferecer e é, por si só, um monumento vivo da História da Humanidade. Foi residência de Amonitas, Amorreus, Coabitas e Edomitas e a partir do Séc. VII a. C., reino dos Nabateus. Destes restou, entre outras coisas, uma das Sete Maravilhas do Mundo, a famosa, e em tempos perdida, cidade de Petra. Mais tarde,
o território foi ocupado por Egípcios, Assírios, Persas, Gregos, Romanos, Árabes, Cruzados e Turcos-otomanos. Tudo isto faz da Jordânia um jardim de monumentos de valor incalculável.

Mas não só de História se faz o país da atual rainha, Rânia (esposa do rei Abdullah II, filho de Hussein). Enquanto percorre os inúmeros locais de culto que a Jordânia tem, pode também desfrutar de longos passeios de camelo pelo deserto, banhos de flutuação no mar Morto, boa comida, boa música e uma hospitalidade acolhedora que surpreende todos os visitantes. Deixe-se levar pelo imaginário das Mil e Uma Noites e parta à descoberta deste oásis.

Mar Morto Jordânia Amã é uma capital de contrastes Templo de Hércules em Amã

Capital de contrastes

Amã é uma cidade com 5 mil anos de história onde o passado vive de forma harmoniosa ao lado do presente e do futuro. Hoje é o espelho de uma nação equilibrada e orgulhosa, que tem vivido tempos de paz e crescimento nas últimas décadas. A cidade está assente em colinas entre o deserto e o fértil vale do rio Jordão e, apesar de algumas falhas no ordenamento do território, é clara a divisão entre a zona mais antiga e a zona moderna. É o ponto base ideal para visitar todo o país.

Cerca de 50% da população vive e trabalha na capital, o que justifica o ritmo alucinante de pessoas e carros a todas as horas do dia. A baixa da cidade é onde se concentram os monumentos e onde tudo acontece. Está repleta de pequenas lojas que vendem desde jóias até objectos de uso doméstico. Aprenda a regatear com os vendedores. Eles já sabem que o vai fazer e podem descer os preços até menos 80%. Ainda assim, não insista quando se tratam de artigos mais acessíveis.

Um ou dois dias deverão ser suficientes para conhecer os pontos mais importantes da cidade. Do legado romano, às mesquitas, deixando tempo para compras e para um banho turco, a cidade tem de tudo para oferecer aos turistas e tem a localização perfeita para quem quer conhecer os outros pontos do país. As pessoas são prestáveis e simpáticas, falam inglês com alguma facilidade e dão informações sobre locais que deve visitar e conselhos de como ir até ao sítios.

Mesquita El-Malek Abdullah

O que visitar em Amã?

Anfiteatro, túmulos e muito mais para ver em Petra

Pode começar pela Mesquita El-Malek Abdullah que, graças ao seu domo azul turquesa, pode ser avistada de quase qualquer ponto da cidade. O Teatro Romano é outro ponto obrigatório. Fica no centro histórico onde se concentram os maiores vestígios da ocupação romana. A estrutura foi erguida no ano 170 d.C. e tinha capacidade para quase seis mil pessoas.Num dos pontos mais altos fica a Cidadela que são as ruínas onde, na Antiguidade, se concentravam os poderosos de Amã. Ainda há colunas de um templo dedicado a Hércules e muitas outras construções.

Vale a pena a visita e ainda ganha pela vista soberba sob a cidade. Para os apaixonados por arqueologia, é indispensável a visita prolongada ao Museu Arqueológico que abriga as peças mais raras e valiosas do país. Para terminar em beleza a sua estadia na capital, aproveite e experimente o típico banho turco no complexo Al Pasha. O serviço completo inclui banho, sauna, jacuzzi, esfoliação e quarenta minutos de massagem.

Petra, a cidade esquecida

A 260 km de Amã fica Petra, a cidade de pedra inserida em grandiosas montanhas vermelhas, que é uma das Sete Maravilhas do Mundo. Inspiração para cenários de filmes de aventuras, a cidade dos Nabateus, uma tribo nómada da arábia, resistiu ao passar dos séculos. E, apesar de ter estado esquecida na História, e de ser considerada uma lenda (como Tróia ou a Atlântida) durante quase 1200 anos, foi redescoberta em 1812 por um jovem explorador suiço e é hoje um monumento indescritível.

O caminho até lá é feito através do Siq, um estreito e sinuoso percurso de cerca de um quilómetro, construído por entre dois enormes desfiladeiros distanciados por não mais de dois metros No final deste caminho, a luz deixa adivinhar a chegada a um destino de cortar a respiração a qualquer viajante: a vista de uma grandiosa fachada esculpida no arenito, de uma elegância, simetria e grandiosidade ímpares.

Lá dentro ficam as ruínas da famosa Câmara do Tesouro, ou Al-Khazneh. Depois, abre-se um vale que conduz às ruínas do centro da cidade de Petra. Aqui reside a necrópole, um grandioso anfiteatro romano, e uma longa escadaria (de 45 minutos de percurso) esculpida na montanha que leva ao Al-Madbah é a melhor paisagem que se pode imaginar... Segue-se depois pela avenida principal e passa-se pelos túmulos reais, terminando no pátio sagrado, nas ruínas do Grande Templo e do Qasr al-Bint. A visita termina com outra grande subida (de 45 minutos) até ao mosteiro Al-Deir, que se assemelha à Câmara do Tesouro, mas que o excede em grandiosidade – é todo esculpido em arenito de tons vermelhos rosados, de uma antiguidade quase desconhecida. Único e estonteante!

Flutuar no mar Morto

Deixe-se flutuar

Imagine-se a flutuar sem o mínimo esforço e de forma natural. Existe um único sítio do Mundo onde isso acontece: o mar Morto. É um enorme lago salgado com cerca de 65 quilómetros de comprimento e 18 de largura. A sua composição extremamente salgada, com cerca de seis vezes mais sal do que qualquer outro mar, permite que o corpo flutue naturalmente. A sensação é indescritível. Para além disso, as propriedades destas águas têm sido procuradas ao longo dos séculos devido aos efeitos benéficos na saúde da pele e não só. Não vai conseguir nadar, mas tente não imergir os ouvidos e os olhos. E não dispense um duche de água doce no fim de ter estado a boiar nestas águas.
A camada de sal que se cola à pele é extremamente desconfortável.

Curiosamente, o mar Morto é um sítio único também por ser o ponto mais baixo do Planeta, com uma altitude negativa de 408 metros
Banhos de lama no mar Morto A íris negra

Ao longo da costa terá à sua disposição inúmeros hotéis, uma praia pública e vários SPA, que exploram os benefícios desta salinidade através de tratamentos de climaterapia e talassoterapia, bem como de balneoterapia, que assenta nos poderes curativos da lama, particularmente rica em cálcio, magnésio, bromo, iodo e betume. Curiosamente, o mar Morto é um sítio único também por ser o ponto mais baixo do Planeta, com uma altitude negativa de 408 metros.

Sabores do deserto

A gastronomia árabe faz as delícias dos visitantes. O prato mais típico da cultura jordana é uma especialidade à base de arroz e carne de borrego, confecionada em iogurte e temperada com ervas aromáticas, que dá pelo nome de mansaf. Normalmente, é decorada com pinhões e amêndoas, mas não se admire se lhe servirem a

refeição com a própria cabeça
do animal...
Tradicionalmente é servido num grande prato, de onde todos os presentes comem com as mãos. As regras? Usar só e apenas a mão direita, depois de lavada, e nunca voltar a colocar a comida no prato. Aventure-se nesta delícia e, no fim, não deixe de provar um pouco de árak, a aguardente típica dos países desta região, destilada em anis, cujo volume de álcool pode chegar aos 80 por cento.

Ao contrário da maioria dos outros países árabes, em que devido à lei islâmica é difícil encontrar locais que vendam bebidas alcoólicas, na Jordânia é mais ou menos fácil, principalmente em cidades grandes com uma maior percentagem de cristãos.

A íris negra

A Natureza tem sempre algo de extraordinário e na Jordânia parece ser sido especialmente generosa. A dureza do sol do deserto, o vento e a escassez de água criaram uma flor tão sublime que não deixa os visitantes indiferentes. A íris negra cresce, normalmente, nas paisagens entre Madaba e Karak e os seus tons de preto, castanho-escuro e púrpura não deixam ao acaso o facto de ser símbolo nacional, numa imagem feminina de pura elegância e fragilidade.

Monte Nebo
onde ir

Jerash
Foi a cidade mais importante nos tempos da árabia romana, chegando a ter mais de 20 000 habitantes. Cerca de 100 anos depois de cristo foi aqui construído o monumental Arco Adriano e, mais tarde, um hipódromo com 245 metros de comprimento onde mais de 15 000 espectadores assistiam a lutas de gladiadores ou corridas de bigas. Alguns arqueólogos defendem que nesta zona ainda pode haver muito por descobrir.

Hipódromo em Jerash

Karak
É a localidade onde reside um dos castelos mais imponentes do país. Está lá desde os tempos bíblicos, em plena rota das antigas caravanas que cruzavam o deserto entre o Egipto e a Síria. Um local onde a paz e o silêncio reinam, não sendo possível imaginar as muitas e cruéis batalhas que ali se travaram em nome da fé. Leve uma lanterna: algumas passagens interiores podem ser uma aventura pouco iluminada...

Madaba
É aqui, na Cidade dos Mosaicos, na igreja grega ortodoxa de São Jorge, que está o mais antigo mapa da Terra Santa. Montado com dois milhões de pequenas pedras coloridas, decora todo o chão da igreja, ilustrando as colinas, os vales, as aldeias e as cidades da região até ao Delta do Nilo.

Monte Nebo
Mais do que o local sagrado onde, segundo as escrituras, Moisés terá falecido e sido enterrado, é palco de algumas das paisagens mais bonitas do país com vistas para o Vale do Jordão, Jerusálem, Mar Morto e Jericó.

Petra
É impensável ir à Jordânia e não guardar um dia para visitar a cidade de pedra dos Nabateus, Património Mundial da Unesco e uma das Sete Maravilhas do Mundo.

Mar Morto
Não pode deixar de experimentar um banho de flutuação no Mar Morto. Não mergulhe e mantenha a cabeça e os ouvidos fora de água. A concentração de sal é tanta que pode ser extremamente doloroso. Mas não se preocupe: flutuar vai ser facílimo.

Macaba
Deserto Wadi Rum

Wadi Rum
O fascínio do Homem pelo deserto é algo inexplicável. Esta região protegida a sul do país é um cordão de vales de dois quilómetros de largura onde reinam o sol, a areia, o silêncio e uma imensidão única, pintada em belos tons amarelados. Não perca o pôr-do-sol, faça caminhadas ou arrisque numa excursão pelo deserto de três a cinco dias. Acredite que nunca mais na vida vai dormir sob um céu tão estrelado como aqui.

Parque Marinho de Aqaba

Aqaba
Um cidade que é a janela da Jordânia para as refrescantes vistas sobre o Mar Vermelho. Uma alternativa às cores e à crueldade do deserto.
As praias de areia fina e os longos recifes de coral fazem as delícias de banhistas e mergulhadores.
A alta salinidade, os ventos Norte e a quase ausência de marés oferecem águas cristalinas de temperaturas amenas que favorecem a biosfera e atraem um largo número de peixes “especiais”.

Guia do Viajante

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Austrália

onde dormir

Grand Hyatt,
Amã

Le Meridien,
Amã

Regency Palace,
Amã

Grand Palace,
Amã

Ramada,
Amã

Landmark,
Amã

Intercontinental,
Amã

Hotel Marriot,
Petra

Golden Tulip,
Petra

Crown Plaza,
Petra

Movenpick,
Petra

Golden Tulip,
Aqaba

Radisson Blu,
Aqaba

Movenpick,
Aqaba

Kempinski,
Aqaba

onde comer

Fakhr El-Din, Amã
Restaurante de comida libanesa e local. Serve jantares até tarde e está recomendado para jantares de negócios ou a dois.

Tawaheen al-Hava, Amã
Pratos típicos do Médio Oriente, tem esplanada e está recomendado para grupos e famílias com crianças.

Ali Baba, Aqaba
Serviço completo de pequenos-almoços, almoços, lanches e jantares com esplanada.

Heritage Experience, Wadi Musa Petra
Comida local a um preço acessível.

Queen Ayola, Madaba
Comida local e internacional num espaço acolhedor.

religião

A Jordânia é tida como um país-exemplo de tolerância religiosa, consagrada pela constituição. Ainda assim, a maioria da população, 92 por cento, é muçulmana, pelo que, ao visitar locais de culto, deve respeitar as leis, vestindo-se de forma adequada e cumprindo os rituais que lhe forem pedidos.

informações

Moeda
Dinar jordano

Idioma
O árabe é língua oficial, mas o inglês é amplamente falado.

Documentos
Passaporte com validade mínima de seis meses e visto.

Fuso horário
UTC/GMT: +2/+3 horas

clima

O clima é mediterrânico semi-árido com sol, sem nuvens e com noites frescas. Entre Novembro e Abril a temperatura média é de 12º C e entre Maio e Outubro é de 23ºC. Não dispense um chapéu e óculos de sol durante o dia e leve um bom casaco para a noite.

 

Texto: Ana Catarina Alberto | Fotos: Arquivo Impala, Wiki Commons, Flickr
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